'The cove' faz campanha contra matança de golfinhos no Japão

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Documentário que ganhou Oscar este ano passa no Festival do Rio.
No longa, ex-treinador de 'Flipper' lidera grupo contra pescadores japoneses.


Ao final do filme “The cove”, documentário que ganhou o Oscar de melhor documentário este ano sobre a matança de golfinhos no Japão - e que passa no Festival do Rio -, o espectador tem vontade de participar de toda e qualquer campanha a favor desses seres tão inteligentes e amáveis. Talvez para aproveitar esse sentimento coletivo, o filme estampe, antes dos créditos, os sites onde se pode colaborar para a causa.

Ajuda à empolgação, claro, a escolha da música para encerrar apoteoticamente o filme, “Heroes”, de David Bowie – aquela que diz “Eu queria que você nadasse como golfinhos”. Mas, na essência desse entusiasmo está o processo de construção do longa, que não deixa qualquer possibilidade de pensamento, que não a apresentada pelo filme. Mais ou menos como acontece com as produções de Michael Moore.

O tema também contribui. Ninguém – ou quase ninguém – consegue ficar impassível diante de cenas tão brutais como a sequência que mostra a morte dos golfinhos. E, para completar, antes de chegar a esse ápice - ou depressão, dependendo do ponto-de-vista – acompanhamos a luta de Ric O’Barry, um senhor que, após anos treinando os animais para o programa de TV “Flipper”, decidiu mudar de vida e lutar pela libertação dos bichos, após um deles morrer em seu colo.


Louie Psihoyos, diretor do filme (Foto: Divulgação /
Site oficial)

Ele pede ajuda a Louie Psihoyos, um fotógrafo famoso, para impedir o processo que acontece anualmente na pequena Taijii, pequena cidade costeira no Japão, quando há a escolha de golfinhos para ir para parques aquáticos do mundo inteiro. Os rejeitados são mortos pelos pescadores, com requintes de crueldade, em uma enseada (daí o nome em inglês do documentário) sem que ninguém tenha acesso. Os pescadores japoneses da região são retratados como verdadeiros grosseiros, sem qualquer possibilidade de diálogo.

Sensibilizado pela história, Psihoyos recruta um grupo de aventureiros, especialistas em logística, mergulhadores profissionais, cientistas, para tentar registrar a matança e, assim, pelo menos, divulgar as imagens para o mundo inteiro.

Nesse processo, o documentário retrata toda a inteligência e a proximidade entre golfinhos e seres humanos, com imagens incríveis e declarações de pessoas que estudam e lidam com os cetáceos constantemente.

Além disso, o filme também tenta entender e desconstruir os argumentos dos japoneses para continuar com a prática. O filme argumenta que a carne do golfinho é contaminada por mercúrio, para desencorajar a alimentação. Mostra como o órgão vinculado a ONU que legisla sobre os casos não tem qualquer representatividade e é povoado por diversos países que vendem seus votos para o Japão aprovar suas propostas. Destrói a alegação de que é uma tradição japonesa comer golfinhos, indo para grandes cidades e entrevistando pessoas comuns nas ruas.


Equipe heterogênea do filme (Foto: Divulgação /
Site oficial)

No fim, não se sabe muito bem por que os japoneses continuam matando os animais. E talvez seja aí o grande problema do documentário. Ao não apresentar um motivo claro, os japoneses são apresentados como “maus”, que não se importam com a morte desses bichinhos tão fofos. Mostram como há muita gente comendo carne de golfinho pensando que está comendo baleia, por exemplo, o que dá a vaga impressão de que o motivo seja econômico. Num filme tão cheio de verdades e afirmações é curioso deixar o porquê em aberto.

O que leva a crer que o documentário é uma propaganda para recrutar novos ativistas verdes, não para criar uma consciência crítica sobre um problema que afeta não somente golfinhos, mas toda a fauna marítima – como o filme até sugere. Gente que vai se sentir melhor em clicar nos sites sugeridos pelo filme, que lutam pelos animais indefesos, enquanto continuam com suas práticas ecologicamente incorretas, na vida real.

FESTIVAL DO RIO
"The cove"
TER (28/9) 15h20 e 21h50 Est Vivo Gávea 5
QUA (29/9) 13h Est Barra Point 1
QUI (30/9) 12h e 18h Estação Botafogo 1


Fonte: g1.com
http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/09/cove-faz-campanha-contra-matanca-de-golfinhos.html

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